MODERNIDADE DESORGANIZADA – PSEUDO EVOLUÇÃO!

Caros amigos vascaínos,

Na véspera da grande final do Carioca 2015, um fato que chamou a atenção foi a questão da compra dos ingressos e a maneira como ela é feita.

Abrindo um parênteses para explicar aos mais novos, penso que é necessário se fazer um relato do passado, pois muitos estão tão aferrados nos preconceitos de pa;lavras como modernidade, avanço tecnológico e evolução do espetáculo, que acabam se esquecendo das raízes de como o esporte chamado futebol se tornou popular no Brasil.

No Rio de Janeiro, até a primeira reforma do Maracanã em 1999, havia uma realidade totalmente diferente dos outros estados grandes no futebol.

No RGS os times grandes tinham seus próprios campos e mesmo assim dividiam torcidas e ingressos, dentro de uma visão de que eram donos de seus campos. Muito parecido com o Paraná e Santa Catarina.

Em Minas com o advento  do Mineirão , os estádios próprios desapareceram e passou a valer a lógica do estádio público, com torcidas meio a meio, onde o time não era dono do estádio!

Em São Paulo a coisa passou por diversos estágios. Primeiro veio o Pacaembú, estádio Municipal, onde se realizavam clássico, com a mesma diretiva, ninguém era dono. Palmeiras e Portuguesa jogavam em seus estádios jogos menores.

Depois veio o Morumbi, com o Pacaembu perdendo sua importância e todos os clássicos passando para lá, com enorme lucro do São Paulo F.C.!

Após isto os clubes passaram a defender em São Paulo, seus campos para clássicos e estes passaram a ser jogados no Palestra Itália (Palmeiras), Vila Belmiro ( Santos) , Canindé (Portuguesa) e o Corinthians adotou o Pacaembu.

Mais recentemente, com a maracutaia do Lula dando um estádio para o Corinthians e com a Arena Palmeiras entrando em ação, o Pacaembu está sendo relegado ao ostracismo sendo utilizado ora em vez pelo Santos na Libertadores!

Com isso em São Paulo passou a valer o costume Europeu de dar apenas poucos lugares ao adversário como visitante em seus estádios!

Começando a entrar no nos interessa, o Rio de Janeiro, com o advento do Maracanã por quase 49 anos valeu a tradição do s estádio público, onde os clubes tinham um código de conduta na colocação das torcidas e onde valia nas arquibancadas maior lugar para quem comprou mais ingresso, onde um cordão de isolamento da polícia se movia para um lado ou outro da arquibancada de acordo com a afluência da torcida!

Já tive oportunidade de ver torcida do IM encostada no angulo de escanteio contra o Vasco e vice-versa. Tudo dependia da maior motivação desta ou daquela torcida para o jogo.

Tudo isso era feito sem problemas, pois havia este código tácito de locação de lugares.

Claro que a compra era uma zona, a entrada era caótica, mas eram jogos de 150 mil pessoas!!!!!!!!!!!!!!!!!

Com a obra de 1999, começaram a mudar conceitos na marra, tudo em prol da “modernidade” e com a colocação das cadeiras brancas no meio de campo se instalaram “currais” para as organizadas, dando a elas a impressão de posse de um terreno, que na verdade não era de ninguém e sim do poder público.

Quando havia mais público de uma torcida do que o curral pudesse aceitar, esta acabava espremida , sem poder sentar nas cadeiras, enquanto que do outro lado haviam claros e mais claros na arquibancada! Uma tremenda burrice e falta de um mínimo de criatividade organizacional!

Com a obra da Copa de Mundo de 2014 a coisa foi totalmente deteriorada em termos de locação da s torcidas e embora a venda dos ingressos e a entrada no estádio seja mais confortável, o  problema da locação das torcidas virou um monstro de sete cabeças!

Começou com o famigerado Consórcio, na verdade um apaniguado do Governador Cabral (com Eike Batista e algumas construtoras se dando bem numa licitação de cartas marcadas), resolvendo jogar no lixo a tradição das torcidas e o próprio edital que proibia isso e mudando a lógica da localização das organizadas que valeu durante 64 anos!

Interessante que nesta mudança o único prejudicado foi o Vasco, perdendo o direito de ficar sempre a direta das cabines a, atual setor Sul! Como na época o clube era dirigido por um traidor infiltrado, que nem torcia pelo clube, um verdadeiro  banana, na acepção da palavra , o clube acabou aceitando o absurdo, que agora é contestado!

No Maracanã novo , onde o Consórcio faz o que bem entende, 78 000 lugares viraram 54000, com uma enorme lista de lugares que nunca são comercializados, ora por causa de aplicação burra de uma lei, ora por cortesias e etc….

Um estádio caríssimo, onde os clubes pagam taxas escorchantes para jogar!

Mas vamos ao problema dos lugares.

Nesta nova maneira de tanger a manada, que é como o Consórcio age com os consumidores que compram ingressos, os currais viraram lugares estanques, ou seja as organizadas pensam que são donas do pedaço e que se dane o resto.

Desta maneira, sem nenhuma criatividade do Consórcio e do GEPE, poderá haver jogo em que um curral esteja lotado e o outro completamente vazio, com grandes prejuízos para os clubes!

Em primeiro lugar o Consórcio não é dono de nada , é apenas um gestor.

Em segundo lugar o Consórcio deveria pagar suas obrigações ao Estado e Prefeitura em dia, mas pelas informações colhidas isto não acontece!

Continuando, com qualquer software de meia boca , seria fácil controlar o ritmo de vendas e fazer com que os lugares fossem redistribuídos, onde não são marcados, bastando para isto que o  preguiçoso GEPE resolva trabalhar e que o abastado Consórcio, se houvesse afluência excessiva se setorizariam os setores Norte e Sul em quatro pensando nos torcedores, leia-se consumidores! E os lugares iriam sendo distribuídos, havendo depois informação ao GEPE de onde seriam os cordões de isolamento!

Mas isto aqui no Rio é muito difícil, e os torturadores de torcedores, leia-se consumidores , preferem ver o circo pegar fogo e pensar em uma solução depois!

Está na hora do Consórcio ser expurgado e do GEPE mudar suas convicções errôneas, que levam por exemplo, a embargar 7000 lugares para dar segurança a torcidas de fora com 20 torcedores!

Neste domingo todos com o Vascão.

Saudações vascaínas!

Sobre jolucave

Sou médico ortopedista , casado, carioca e vascaíno
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Uma resposta para MODERNIDADE DESORGANIZADA – PSEUDO EVOLUÇÃO!

  1. Perfeito a sua análise Jorge Verissimo sobre esse absurdo que se chama distribuição de lugares no Maracanã. O Maracanã de antigamente com certeza era muito mais democrático do que este construído depois de 2000, naquele tempo não havia conforto com certeza, muitas vezes me vi apinhado na arquibancada, mais o povão podia ir de geral ou mesmo de arquibancada, a classe média podia ir de arquibancada ou de cadeira e classe A podia ir de cadeira cativa e conforme o tamanho da torcida adversária a polícia fazia o isolamento sem causar perda grande de espaço como vemos neste “Novo Maracanã”. Parabéns pelo seu ótimo artigo

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