Mídia esportiva

Caros amigos,
Este foi o título de um artigo que publiquei no Observatório de imprensa em 07/11/2006. Nele eu fazia um comentário sobre a mídia esportiva e os seus problemas frente à realidade que a cercava.
Antes de tudo ficam aqui algumas observações:
a) O tempo passou e tudo, cerca de quatro anos depois, continua exatamente como antes.
b) Por ignorância do autor, só percebi que haviam comentários importantes a ser respondidos, cerca de quatro anos após e peço perdão por não tê-los respondido.
Aqui vai à íntegra do texto e os comentários:

MÍDIA ESPORTIVA
Como sempre, o retrato do atraso
Por Jorge Luiz de Carvalho Verissimo em 7/11/2006

Nos últimos anos, pude constatar o grande avanço da TV brasileira, principalmente tecnológico, o que a tornou uma exportadora de programas, com grande audiência até no exterior, no caso das novelas. Da mesma maneira, tanto no rádio como nos jornais os avanços tecnológicos aconteceram, permitindo melhor recepção de som e melhor impressão dos jornais.
Entretanto, sempre há um entretanto, a mídia esportiva brasileira, seja na TV, no rádio ou em jornal, é o melhor exemplo de atraso, profissionalismo de baixa qualidade e falta de isenção no apresentar dos fatos. Lamentavelmente, são pequenas e honradas as exceções. No caso dos jornais há um problema maior ainda, pois as camisas-de-força em determinadas redações levam sempre parcialidade à informação. O inadmissível clubismo, na hora de descrever os fatos, chega a cansar o pobre leitor.
Claro está que os anunciantes pesam na hora das opiniões, assim como os clubes de maior torcida pesam quando os profissionais emitem um conceito. Afinal, é melhor garantir as vendas do que fazer uma análise imparcial dos fatos ocorridos.
Vejamos o Lance!, que é dominado pela turma da “privatização” do futebol pelas empresas. Seus colunistas, capitaneados pelo Juca Kfouri, só conseguem enxergar benefícios na Lei Pelé, não tendo um mínimo de isenção para dizer que erraram em apoiá-la sem restrições, possibilitando uma enorme desorganização na malha clubística, o que resultou em perda dos valores individuais para a Europa e campeonatos de técnica medíocre em nossos campos.
No caso da maioria das rádios (veículos poderosíssimos na formação de conceitos por parte das torcidas dos clubes), encontramos sempre benevolência com os “amigos” e a parcialidade com os “inimigos”. Na hora dos gols, determinados clubes são agraciados com quase um minuto de urros e elogios – outros, a gente mal consegue saber que saiu um gol!
Porém, estes fatos são fichinha perto das TVs, em que as opiniões são dirigidas com freqüência, narra-se mal e os grandes centros de audiência recebem tratamento melhor do que os outros. Reclamo especialmente da TV a cabo: pagamos por um serviço que deveria ser bom e, na hora dos jogos, é uma lástima de erros. Vou concentrar minha atenção no futebol, pois, se a gente for falar de outros esportes, os erros de transmissão e as bobagens ditas são tamanhas que seria maldade especificar.
Não raro, as imagens do jogo são completamente ignoradas por narradores e comentaristas, que partem para tentar convencer o telespectador de suas convicções.
Comentaristas de arbitragem parecem mais uma piada, pois afirmam que houve erro ou acerto por parte do juiz e logo após, no replay, a TV mostra tudo ao contrário. E pensam que os caras se desculpam? Negativo, inventam coisas mirabolantes e, por fim, dizem que o “pobre” juiz não teria tempo de ver , pois eles mesmos não viram com o replay! Ora, para um serviço destes era melhor não dizer nada e deixar o telespectador formar suas próprias convicções.
Diferença clara
No caso dos narradores, com honrosas exceções, encontramos um deserto de competência. Os lances narrados não correspondem ao que claramente se viu na tela, os nomes dos jogadores são trocados numa freqüência apavorante. Pior do que isto, troca-se o nome do atleta que teria interferido na jogada, mete-se o pau nele e depois nem pedido de desculpa há pelo erro da narração.
Temos também os narradores de jogo com neurose de comentarista: o jogo está lá transcorrendo e o “brilhante” narrador, esquecido disto, deita falação com suas opiniões, que vão da organização das federações a dirigentes e jogadores. Eles se acham verdadeiros formadores de opinião, mas, na verdade, são uns chatos de galocha.
Não dá mais para que tenhamos uma imprensa esportiva baseada em jeitos do século passado, querendo balizar a opinião de leitores, ouvintes e telespectadores da nova era.
O mínimo que se pede é imparcialidade na descrição dos fatos e narração na hora de narrar, deixando bem clara a diferença entre o que é opinião (comentário, ou seja lá o que for) e a realidade dos fatos. Os consumidores merecem que a qualidade até agora apresentada seja melhorada. Merecem que sejam encarados com respeito, como usuários de um serviço de grande relevância, e não como massa de manobra.

Comentários (3)

Patrícia Valiño , Rio de Janeiro-RJ – Webmaster
Enviado em 12/11/2006 às 23:02:38

Na minha opinião, boa parte das justíssimas queixas do autor com relação telejornalismo esportivo explicam-se com um só fenômeno: o “Centro Acadêmico Galvão Bueno de Formação de Narradores Esportivos Piegas e Sabedores/Inventores da Verdade Absoluta de Todos os Fatos”.

Rafael Roldão , RJ-RJ – jornalista
Enviado em 8/11/2006 às 02:48:44

Comentaristas estão na TV para comentar e por isso eles ” partem para tentar convencer o telespectador de suas convicções”. Gostaria de ver alguns nomes das “honrosas exceções” por ti citadas.

Juca Kfouri , São Paulo-SP – jornalista
Enviado em 7/11/2006 às 17:04:30

Honrado com a única citação nominal, comunico ao nobre articulista que há mais de um ano sai do “Lance!” para ir defender a Lei Pelé na “Folha de S.Paulo”. Peço ainda, humildemente, que seja citado ao menos um comentarista de arbitragem das TVs por assinatura. Gratíssimo, Veríssimo. JK

Como podem ver não ocorreu nenhuma modificação no ambiente descrito há quatro anos atrás,
Mesmo sabendo que esta coluna não é muito lida gostaria de tardiamente dar algumas respostas.
Uma das raras exceções de comentaristas que não tentam impingir suas opiniões aos espectadores é o Paulo Cesar da SPORTV.
No caso dos comentaristas de arbitragens, todos os que trabalham na Globo aberta e que hora e vez fazem jogos no SPORTV tem a mesma mania de tentar subverter o que o espectador vê e o que eles pensam de certo! Assim sendo poderíamos dizer que Arnaldo, José Roberto, e Marsiglia são os campeões nesta prática!

Como assinante de TV por assinatura a cabo continuo a achar o serviço péssimo e permaneço com a impressão de que nada mudou em quatro anos!

Sobre jolucave

Sou médico ortopedista , casado, carioca e vascaíno
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